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O conceito de estranhamento nasceu das discussões entre os formalistas russos com as idéias do crítico ucraniano Aleksander Potebnia (1835–1891) sobre a função da arte na sociedade e a mimesis.  Potebnia afirmava que “as imagens não têm outra função senão permitir agrupar objetos e ações heterogêneas e explicar o desconhecido pelo conhecido”. Segundo o Poetbnia a arte apresentava o desconhecido como referência da natureza conhecida pelo homem. 

Para Chklovski, ao contrário, “A finalidade da arte é dar uma sensação do objeto como visão e não como reconhecimento; o processo da arte é o processo de singularização ostranenie - (estranhamento) dos objetos e o processo que consiste em obscurecer a forma, em aumentar a dificuldade e a duração da percepção. O ato de percepção em arte é um fim em si e deve ser prolongado; a arte é um meio de sentir o devir do objeto, aquilo que já se ‘tornou’ não interessa à arte. ” 

O estranhamento para Chklovski seria então o efeito criado pela obra de arte literária para nos distanciar (ou estranhar) em relação ao modo comum como apreendemos o mundo e a própria arte, o que nos permitiria entrar numa dimensão nova, só visível pelo olhar estético ou artístico.

Esse efeito de estranhamento pode ser percebido em diversas obras artísticas.

Tive a oportunidade de visitar uma exposição do artista plástico Paulo Pugialli, no Palacete dos Leões, em Curitiba, em meados de 2011. A exposição se intitulava “+ de 1”. O estranhamento foi a primeira sensação que me envolveu quando adentrei o espaço da exposição. As obras estavam arranjadas de tal forma que quando olhei não sabia se a exposição ainda estava sendo montada ou se ela já havia acabado e estava sendo desmontada. Só depois de contemplar algumas telas, entendi que o desarranjo das obras era uma forma de expressão do artista.  As telas, embora muito coloridas, não expressavam necessariamente o belo, como se costuma esperar. Pareciam evidenciar um mundo em desarmonia, desorganizado, desestruturado, caótico... A instalação causou estranheza tanto em mim quanto em outros que por ali passavam e comentavam que era uma exposição feia.

É interessante observar que o “feio” ainda nos causa estranheza, embora faça parte do nosso cotidiano. Vivemos em uma sociedade que supervaloriza o belo e espera que a arte também o faça “sempre”. Quando isto não acontece, nos sentimos perturbados. É como se arte não estivesse cumprindo seu papel, que para a grande maioria, é retratar a beleza, ainda que esta não seja a representação da realidade...

 

 

 

Célia Schneider

 

 Exposição NÓS - de Paulo Roberto Pugialli 

O Estranhamento

 

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